


Se o Poeta Falar Num Gato
"Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade...
se falar numa esquina mal e mal iluminada...
numa antiga sacada... num jogo de dominó...
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade...
se falar na mão decepada no meio de uma escada
de caracol...
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!"
Mario Quintana
A incrível Lygia Fagundes Telles e seu gato sábio...
“Eu estudei muitos filósofos e muitos gatos. A sabedoria dos gatos é infinitamente superior.”
Hipollyte Taine
![]()

Em determinado momento da vida a gente se perde... Nos perdemos de nós mesmos. Nos esquecemos dos sonhos, dos planos que havíamos traçado na juventude. Os ideais também se perdem pelo meio do caminho. É como se o esboço outrora desenhado para a idade adulta deixasse de existir. O que nos resta são retalhos. Pedaços que teimamos em colar. Passamos anos a fio escrevendo um roteiro, decorando falas, planejando atos que jamais saíram do papel. E quando olhamos no espelho vemos marcas de expressão. Rugas que delatam a estrada que percorremos. Talvez cada linha estampada em nossa face tenha um nome. A mais profunda pode ser aquela que se formou quando a pessoa que mais amamos na vida nos deixou para sempre, entrando num túnel escuro que não tem caminho de volta, a morte. Ah, o tempo vai cravando muitas delas... A cútis que um dia foi fina, reluzente hoje é um mapa que figura em nosso rosto as tristezas do meio do caminho. As vezes que nos mentiram, nos enganaram, aquelas outras que criamos falsas expectativas e acabamos com sonhos desfeitos. Mas entre uma decepção e outra há sempre um momento mesmo que ínfimo de alegria, de esperança, de ilusão. Vidas novas chegam sempre pra nos ajudar a esquecer daquelas que partiram. Um novo amor pra apaziguar nosso coração despedaçado. E quem sabe quando entrarmos na reta final de nosso caminho, algumas marcas ao redor da boca e dos olhos sejam aquelas que ficaram de tantos sorrisos. Deus me ajude a poder dizer em dias futuros as mesmas palavras de Ana de Assis, a viúva de Euclides, a amante de Dilermando: " Eu não errei. Eu amei!"... Ou quem sabe a música do Rei se faça realidade em minha vida: ..." Se chorei ou se sorrí, o importante é que emoções eu viví"...
"As velhas fotografias enganam muito, dão-nos a ilusão de que estamos vivos nelas, e não é certo, a pessoa para quem estamos a olhar já não existe, e ela, se pudesse ver-nos, não se reconheceria em nós."


Meu perfil
Cazaquistão, Nunca, Distante, Do Sol, Mulher, de 36 a 45 anos, Abkhazian, Amharic, Animais, Arte e cultura
MSN - addriqueiroz@hotmail.com